sábado, 25 de agosto de 2012

ETERNAMENTE 12 ANOS


Se me for dado o direito de escolha, eu quero as tardinhas, aproveitando os ventos de agosto, soltar papagaios, que eu mesmo faço, coloridos e com bambulinhas, dar toda a linha do tomador, que meu irmão faz, e vê-lo coroar no céu.
Se me for dado o direito de escolha, quero correr na frente dos meus 17 irmãos, quando minha mãe chamar para tomar café da tarde, para poder tentar pegar o pedaço maior daquela bisnaga de pão de sal, que minha mãe, todos os dias, divide em 18 pedaços, depois ficar medindo com eles, para ver quem pegou o pedaço maior.
Se me for dado o direito de escolha, quero ir puxando o carrinho de madeira que meu pai fez ir até o armazém da Rede, fazer as compras do mês. Ele sempre compra 60 kg de arroz, 60 kg de açúcar, 30 kg de feijão e muitas outras coisas. Na volta, não conseguir puxar o carrinho, que esta pesando demais, e ouvir meu pai dizer: “vamos moleza, força! Né homem não?”.
Se me for dado o direito de escolha, quero ir com meu pai, pegar o trem na estação, viajar ao som da Maria-fumaça, olhando a paisagem, onde as árvores que parecem estar correndo, umas mais que as outras. Depois que chegar a Carmo do Cajurú, ir a pé, fazendo festa, ate a barragem, no caminho comendo “milho de grilo, pitanga” e qualquer outra fruta do mato, que meu pai diz que podemos comer. Na volta, andando naquela estrada de terra, ficar entediado porque Carmo do Cajurú parece que nunca vai chegar. E quando chegamos, ouvimos o chefe da estação dizer: “o misto está atrasado 3 horas”.
Se me for dado o direito de escolha, quero ficar da veneziana do quarto do meu pai, ver a chuva cair e me perguntar como ela chegou lá em cima, ouvir o som do vento passando pelas frestas da janela, ver a árvore que plantei no jardim, ser balançada pelo vento, e saber que minha mãe vai xingar, pois o vento derruba muitas de suas folhas que são bem pequenas e ficar de coração apertado, quando ela diz “vou mandar seu pai cortar esta porcaria”.
Se realmente eu tiver direito a escolha, eu quero sempre, ter apenas 12 anos.

2 comentários:

  1. Legal o texto! Me faz lembrar do meu tempo de criança ...Se realmente eu tiver direito de escolha, não quero que o caminhão de leite passe na 2ª Feira para ter que ir estudar em Lima Duarte...se realmente eu tiver o direito de escolha não quero que a minha professora Dona Luciana vá embora de Perobas e nos deixe...se eu realmente tiver direito de escolha não quero que minha "paixão" ,Vanja, se mude para Juiz de fora...Parabéns,Thimonty, você é um artista, uma das poucas coisas boas que se encontra na Internet. Felicidades e que Jeová te abençoe!

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    1. Ei Marcos. Blz?
      Muito bom que tenha gostado.
      Acredito que a idade de 12 anos seja mágica.
      Nesta idade eh que a gente gostaria que o tempo parasse. Viu quanta coisa vc gastaria que fosse diferente, ou para sempre?
      Nesta idade perdemos a alma de criança para adquirir a alma de adulto.
      Por um lado muito bom, afinal, eh para isto que viemos ao mundo e a fase adulta nos fascina.
      O lado ruim eh que perdemos a alma de criança. E só depois, bem depois eh que a gente gostaria de ter caminhado com as duas. Mas isto também não eh possível. Enfim...
      Muito obrigado pela visita e fique sempre a vontade para vir quando quizer, deixar seus comentárias, sonhos, planos ou o que quizer dividir conosco. O privilégio será sempre nosso.
      Abraços, tudo de bom para vc e que Deus sempre te abençoe.

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