domingo, 27 de maio de 2012

IARA. A OSTRA DE LUZ


GUARDO NA MEMÓRIA, UMA TÃO BELA HISTÓRIA, QUE EU JÁ OUVI CONTAR.
DO TEMPO EM QUE O SOL MORAVA, DENTRO DA OSTRA IARA, LÁ NO FUNDO DO MAR.

IARA, UMA OSTRA IMPONENTE, ESTAVA SEMPRE CONTENTE, LÁ NO FUNDO DO MAR.
POIS DENTRO DELA MORAVA, A LUZ QUE ILUMINAVA, TODO AQUELE LUGAR.

BEM CEDINHO, A OSTRA SE ABRIA, PORQUE ELA JÁ SABIA, ERA ORA DE ILUMINAR.
DE TARDINHA ENTÃO SE FECHAVA, E A LUZ SE APAGAVA, PARA A NOITE ENTÃO CHEGAR.

O MAR SE ORGULHAVA, PORQUE O SOL ALI MORAVA, E TODOS VIVIAM BEM.
O CÉU SÓ TINHA ESTRELAS, NÃO TINHA TANTA BELEZA, QUE SÓ O MAR É QUE TEM.

CONTAM QUE TAMBÉM HAVIA, UMA CERTA ENGUIA, QUE MORAVA POR LÁ.
NÃO SATISFEITA, DE VER ESTA LUZ PERFEITA, QUE ESTAVA SEMPRE A BRILHAR.

COM INVEJA DA OSTRA, ESTA ENGUIA AINDA MOÇA, DISSE: __ESSA LUZ VOU ROUBAR.
JUNTO COM SEU NAMORADO, UM ENGUIA ATRAPALHADO, PEGAR A LUZ FOI TENTAR.

SAÍRAM AINDA CEDINHO, PLANEJARAM PELO CAMINHO, COMO O SOL IAM PEGAR.
QUANDO A OSTRA SE ABRISSE, A HORA EM QUE A LUZ SURGISSE, UM CHOQUE NELA IAM DAR.

COMO HAVIAM PLANEJADO, O PLANO FOI EXECUTADO, O CHOQUE A OSTRA LEVOU.
PARA ALEGRIA DA ENGUIA, O SOL QUE NA OSTRA VIVIA, DELA SE SOLTOU.

A ENGUIA E SEU NAMORADO, PEGANDO O SOL ROUBADO, FUGIRAM RÁPIDO DALI.
SEM A LUZ QUE ILUMINAVA, NINGUÉM VIA MAIS NADA, SÓ ESCURIDÃO HAVIA ALI.

OS PEIXES LÁ DO FUNDÃO, CHAMARAM O TUBARÃO, PARA IR O SOL SALVAR.
O TUBARÃO CHAMOU O GOLFINHO, A ARRAIA E O CAVALO MARINHO, ATÉ A BALEIA VEIO AJUDAR.

PARTIRAM ENTÃO À PROCURA, NAQUELAS ÁGUAS ESCURAS, DA ENGUIA E O NAMORADO.
VIRAM OS DOIS FUGINDO, LÁ LONGE JÁ ESTAVAM INDO, COM O SOL NO SACO AMARRADO.

A ENGUIA E O NAMORADO, FICARAM DESESPERADOS, E SUBIRAM À SUPERFÍCIE.
DEIXARAM O SACO ABRIR, O SOL COMEÇOU A SAIR, E ILUMINOU A PLANÍCIE.

A ENGUIA E O NAMORADO, E OS PEIXES DESESPERADOS, NÃO SABIAM O QUE FAZER.
O SOL SUBIU LENTAMENTE, ASSIM DEFINITIVAMENTE, NÃO PODERIA MAIS DESCER.

PARA TRISTEZA DO MAR, O SOL NO CÉU FOI MORAR, DEIXOU A OSTRA VAZIA.
E IARA COMEÇOU A CHORAR, SEM A SUA LUZ A BRILHAR, SUA CASA NÃO MAIS ABRIA.

CONTAM POR ESSE MAR, ISTO QUE VOU TE CONTAR, QUE É A PURA VERDADE.
QUE A ENGUIA DE TRISTEZA, FOI MORAR NAS PROFUNDEZAS, POR CAUSA DE SUA MALDADE.

CONTAM TAMBÉM POR AQUI, EU SEI PORQUE JÁ OUVI, QUE A OSTRA ESTA FECHADA.
DIZ QUE SÓ VAI ABRIR, QUANDO O SOL VOLTAR ALI, E NELA FAZER MORADA.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

LUIZINHO. O SIRIZINHO DIFERENTE


EM UMA CERTA PRAIA, HAVIA UM TAL DE LUIZINHO.
QUE ERA UM CERTO SIRIZINHO, QUE SÓ SABIA RECLAMAR.

RECLAMAVA PARA O PAI, PARA A MÃE E OS IRMÃOS.
QUERIA UMA SOLUÇÃO, PARA O SEU JEITO DE ANDAR.

NÃO ENTENDIA O LUIZINHO, O QUE LHE SAIU ERRADO.
QUANDO A FAMÍLIA FOI CRIADA, DE TODO SIRI DO MAR.

PORQUE ERA TÃO DIFERENTE, DOS BICHOS QUE NO MAR VIVEM.
DOS QUE EM TERRA RESIDEM, DOS PÁSSAROS VOADORES.

DE TODOS OS ANIMAIS, DE QUE JÁ OUVIU FALAR.
NO SEU JEITO DE ANDAR, NUNCA TEREM RECLAMADO.

PARA NOSSO LUIZINHO, O SEU MAIOR PROBLEMA.
O SEU ENORME DILEMA, ERA TER DE ANDAR DE LADO.

TODOS QUE ALI VIVIAM, IAM SAINDO DE FININHO.
QUANDO VIAM QUE LUIZINHO, ESTAVA VINDO POR PERTO.

PORQUE NINGUÉM AGÜENTAVA, OUVIR LUIZINHO RECLAMAR.
DO SEU JEITO DE ANDAR, SE PARA FRENTE ERA O CERTO.

OS PEIXES DO MAR APELIDARAM LUIZINHO.
E CHAMARAM O SIRIZINHO, DE O TAL “DE LADINHO”

LUIZINHO ENTÃO, COM RAIVA, TENTA PEGAR OS PEIXES.
MESMO QUE ESTES NÃO FUJAM, NÃO ACERTAVA O CAMINHO.

CERTA VEZ DE TARDINHA, LUIZINHO VIU UM MENINO.
QUE LHE ESTAVA SORRINDO. BRINCANDO A RODAR NA PRAIA.

QUANTO MAIS ELE RODAVA, MAIS ZONZO ELE FICAVA.
DEPOIS QUE ELE PARAVA, SAÍA DE LADO E RIA.

VENDO O QUE ACONTECEU, LUIZINHO FICOU CONTENTE.
E PERCEBEU QUE ATÉ GENTE, PODE DE LADO ANDAR.

LEMBROU ENTÃO LUIZINHO, QUE OS OUTROS ANIMAIZINHOS.
ANDAM PRA FRENTE OUA PRA TRÁS, E NÃO PRECISAM VIRAR.

A PARTIR DAQUELE DIA, AQUELE SIRIZINHO.
O TAL DE LUIZINHO, NINGUÉM OUVIU MAIS RECLAMAR.

ANDAVA TODO IMPONENTE, LÁ NO FUNDO DO MAR.
E SENTIA O MAIOR ORGULHO, DO SEU JEITO DE ANDAR.

sábado, 19 de maio de 2012

GLAUBINHO. O SAPECA CAVALO MARINHO


LÁ NO FUNDO DO MAR, MORA UM CAVALO-MARINHO.
MUITO LEVADO E ESPERTO. SEU NOME É GLAUBINHO.

GLAUBINHO NÃO SOSSEGAVA, NO DIA, SÓ UM SEGUNDO.
ELE SEMPRE APRONTAVA, COM TODOS. TODO MUNDO.

PASSAVA TODO SEU TEMPO, NADANDO E BRINCANDO.
E SE DIVERTIA MUITO, POIS ESTAVA SEMPRE APRONTANDO.

ERAM TANTAS TRAVESSURAS, ALI NAQUELE LUGAR.
QUE FICAVA A MAIOR BAGUNÇA, LÁ NO FUNDO DO MAR.

PARA ARRUMAR A BAGUNÇA, QUE ELE SEMPRE APRONTAVA.
PARA UM DE SEUS AMIGUINHOS, É O QUE SEMPRE SOBRAVA.

MAS DO QUE ELE GOSTAVA, ERA MESMO DE APRONTAR.
O QUE TODOS LÁ DO FUNDÃO, TINHAM QUE AGÜENTAR.

ATÉ MESMO O TUBARÃO, QUE TINHA FAMA DE BRAVO.
COM AQUELAS TRAVESSURAS, JÁ SE TINHA CONFORMADO.

ELE SE DIVERTIA MUITO, SÓ QUANDO ESTAVA APRONTANDO.
E ALGUM OUTRO BICHINHO, É QUE A CULPA IA LEVANDO.

APESAR DE TÃO SAPECA, E DE SER MUITO TRAVESSO.
AO FIM, CONTAVA A VERDADE, SOBRE O QUE TINHA FEITO.

ELE ERA SEMPRE QUERIDO, POR TODOS LÁ NO FUNDÃO.
APESAR DE APRONTAR MUITO, TINHA UM BOM CORAÇÃO.

CERTA FEITA SUA MÃE, DE CASTIGO O COLOCOU.
GLAUBINHO FICOU TRISTE, E SAL ALEGRIA ACABOU.

SEUS AMIGUINHOS DO MAR, NÃO SABIAM O QUE FAZER.
POIS GLAUBINHO É QUEM FAZIA, TUDO DE BOM ACONTECER.

SUA MÃE DECIDIU ENTÃO, SUSPENDER-LHE O CASTIGO.
E TUDO FICOU COMO ANTES, PRA TODOS E CADA AMIGO.

TODOS DO FUNDO DO MAR, JÁ ESTÃO ACOSTUMADOS.
COM AQUELAS TRAVESSURAS, ELE NUNCA FICA PARADO.

NOSSO CAVALO MARINHO, A QUEM CHAMAMOS DE GLAUBINHO.
E MORA NO FUNDO DO MAR.

ALGUM DIA CRESCERÁ. E OS FILHOS QUE VAI TER, 
SUA HISTÓRIA CONTARÁ.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A ÁGUA-VIVA, DANE


ERA UMA VEZ UMA ÁGUA-VIVA, PERTO DA PRAIA MORAVA.
GOSTAVA MESMO DE FICAR, NAQUELAS ÁGUAS MAIS RASAS.

QUANDO UM DIA NASCEU, ELA ERA BEM PEQUENININHA.
MAS AINDA MESMO ASSIM, ERA MUITO ESPERTINHA.

COUBE AO SEU AVÔ ENTÃO, COMPETENTE PROFESSOR.
DAR-LHE O NOME DE DANE, E ASSIM CHAMADA FICOU.

ENQUANTO ERA UM FILHOTE, ELA SÓ QUERIA BRINCAR.
BEM NO FUNDO DO MAR, SEM NUNCA SE AUSENTAR.

MAS QUANDO ELA CRESCEU, QUIS SUA VIDA MUDAR.
BUSCOU A BEIRA DA PRAIA, ONDE ENTÃO FOI MORAR.

GOSTA QUANDO AS ONDAS VÃO PRÁ LÁ, PARA CÁ.
GOSTA DE ESTAR NO BALANÇO, DAS DOCES ONDAS DO MAR.

ÀS VEZES TEM DE CORRER, DE CRIANÇINHAS BRINCANDO.
QUE PODE NELA PISAR, SENTIR OS PÉS QUEIMANDO.

HOUVE, PORÉM, UM DIA, UMA CRIANÇA A AVISTOU.
CORREU E PEGOU UM BALDE, NELE A DANE APRISIONOU.

          __COMO VAI, ÁGUA-VIVA? PODE ME CHAMAR ZEZINHO.
VOCÊ, A PARTIR DE AGORA, VAI SER MEU AMIGUINHO.

__É NESSE BALDE DE ÁGUA, QUE HÁ DE MORAR.
TODOS OS DIAS DA VIDA, EU A VOU ALIMENTAR.

__PARA MINHA CASA AGORA, EU A PRETENDO LEVAR.
EM CIMA DE MINHA CÔMODA, ONDE VOCÊ VAI MORAR.

          __SOU A ÁGUA-VIVA DANE, DE VOCÊ NÃO POSSO SER.
SE NESSE BALDE EU FICAR, COM CERTEZA VOU MORRER.

__O MAR É MINHA MORADA, É ONDE GOSTO DE VIVER.
BALANÇAR SOBRE AS ONDAS, SENTIR O SOL ME AQUECER.

__NÃO POSSO SER SUA AMIGA, NÃO SOU IGUAL A VOCÊ.
A PESSOA QUE ME TOCA, QUEIMA-SE, PODE ARDER.

          __VOU DEVOLVÊ-LA AO MAR, NÃO QUERO VÊ-LA SOFRER.
MAS QUERO SER SEU AMIGO, MESMO LONGE DE VOCÊ.

PARA AMAR OS ANIMAIS, NÃO É PRECISO PRENDER.
SÓ CUIDAR DA NATUREZA, A TODOS DEIXAR VIVER.